
O leão tinha deixado de ser o rei das selvas por motivos de idade. Retirou-se para sua casa, deixando boas recordações aos seus antigos súditos, enquanto outro leão jovem ocupava o trono.
A nostalgia dos tempos idos apoderou-se da alma do leão, que vivia só e passava os dias lamentando-se pela sua velhice. De nada serviam as visitas de seus amigos e conhecidos. Ele não conseguia ver a realidade das coisas e estava sempre pendente do seu passado. O leão queixava-se do presente, dizendo:
- Ah! Nada disso acontecia antigamente. Que belos tempos aqueles!
Certo dia, o leão recebeu a visita de dois filhotes. Seu professor de História havia solicitado um trabalho sobre a vida e os feitos do antigo rei das selvas. Muito contente, o velho rei relatou-lhes seus anos de reinado, de fio a pavio. Quando terminou, voltou a lamentar-se de que tudo isso tivesse acabado.
- Não fique assim, senhor leão, disse-lhe um dos filhotes. O senhor sempre será alguém importante, pois foi um dos poucos animais capazes de interferir na História. Nunca será esquecido.
O leão compreendeu que não fazia bem fugir do presente e refugiar-se em seu passado, A vida deve ser vivida com toda a sua intensidade, momento a momento. De nada vale procurar consolo nas recordações do passado, esquecendo-se de viver o momento atual.
A velhice pode ser tão bela quanto a juventude. Tudo depende da nossa atitude diante dela. Cada idade tem a sua beleza.