
A inveja é uma maldição sobre a terra, tais são os problemas que causa e tão numerosos os seres que atinge.
O rato não podia suportar que o seu colega raposinho soubesse sempre as lições e tirasse sempre o primeiro lugar na turma, que sempre lhe havia pertencido.
Aproveitando-se de uma ocasião em que, não se sabe como, tinham desaparecido algumas coisas da mesa do professor, o rato, invejoso e sem escrúpulos, culpou o raposinho, sob o pretexto de que, como representante da turma, era o único a ficar sozinho na sala depois das aulas, Só poderia ser ele o ladrão!
À força de tanto falar e de apresentar provas falsas, o rato conseguiu convencer a quase todos os alunos, e até mesmo o professor, de que raposinho tinha muito a confessar a esse respeito.
Mas, no último momento, para felicidade do raposinho, tudo se esclareceu. A esposa do professor costumava vir limpar a sala depois das aulas. Como tinha visto os objetos do seu marido sobre a mesa, recolheu-os, levando-os para casa.
- Que maldade! Disse o professor ao envergonhado rato. Se há uma coisa que não se pode tratar com benevolência é a calúnia. Vá para a casa e não retorne às aulas durante quinze dias.
O raposinho, no entanto, que era muito bondoso, intercedeu a favor de seu falso colega, pedindo ao professor que o perdoasse. Em consideração a ele, tanto o professor como os colegas perdoaram ao rato, que pôde voltar às aulas já no dia seguinte, verdadeiramente arrependido.